sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Jó 14

O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece. E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juízo contigo. Quem do imundo tirará o puro? Ninguém. Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia. Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta. Porém, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está ele? Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco, assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, não acordará nem despertará de seu sono. Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se fosse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança. Chamar-me-ias, e eu te responderia, e terias afeto à obra de tuas mãos. Mas agora contas os meus passos; porventura não vigias sobre o meu pecado? A minha transgressão está selada num saco, e amontoas as minhas iniqüidades. E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar. As águas gastam as pedras, as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem; tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; mudas o seu rosto, e o despedes. Os seus filhos recebem honra, sem que ele o saiba; são humilhados; sem que ele o perceba; Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta.



A sensação que Jó tem é que toda a ira divina está sobre ele, como se fosse o maior dos pecadores. Jó deseja que Deus lhe conceda descanso na ressurreição, mas seus sonhos parecem sumir diante de uma imagem de um Deus disposto a destruir, provavelmente a partir da concepção que se tinha de que no Seol a alma era afetada pela decomposição do corpo e sentia em si o toque da corrupção.

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