segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Jó 16

Então respondeu Jó, dizendo: Tenho ouvido muitas coisas como estas; todos vós sois consoladores molestos. Porventura não terão fim essas palavras de vento? Ou o que te irrita, para assim responderes? Falaria eu também como vós falais, se a vossa alma estivesse em lugar da minha alma, ou amontoaria palavras contra vós, e menearia contra vós a minha cabeça? Antes vos fortaleceria com a minha boca, e a consolação dos meus lábios abrandaria a vossa dor. Se eu falar, a minha dor não cessa, e, calando-me eu, qual é o meu alívio? Na verdade, agora tu me tens fatigado; tu assolaste toda a minha companhia, testemunha disto é que já me fizeste enrugado, e a minha magreza já se levanta contra mim, e no meu rosto testifica contra mim. Na sua ira me despedaçou, e ele me perseguiu; rangeu os seus dentes contra mim; aguça o meu adversário os seus olhos contra mim. Abrem a sua boca contra mim; com desprezo me feriram nos queixos, e contra mim se ajuntam todos. Entrega-me Deus ao perverso, e nas mãos dos ímpios me faz cair. Descansado estava eu, porém ele me quebrantou; e pegou-me pela cerviz, e me despedaçou; também me pôs por seu alvo. Cercam-me os seus flecheiros; atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama sobre a terra, fere-me com ferimento sobre ferimento; arremete contra mim como um valente. Cosi sobre a minha pele o cilício, e revolvi a minha cabeça no pó. O meu rosto está todo avermelhado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte: Apesar de não haver violência nas minhas mãos, e de ser pura a minha oração. Ah! terra, não cubras o meu sangue e não haja lugar para ocultar o meu clamor! Eis que também agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas o meu testemunho está. Os meus amigos são os que zombam de mim; os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus. Ah! se alguém pudesse contender com Deus pelo homem, como o homem pelo seu próximo! Porque decorridos poucos anos, eu seguirei o caminho por onde não tornarei.



Jó reclama de não receber conforto dos amigos no momento em que vive e afirma que se fosse o contrário, confortaria o amigo. Não há nada que possa aliviar a dor de Jó e se descreve como uma muralha a ser penetrada por um ataque externo. Jó continua a afirmar sua inocência e suplica a Deus, que o aflige a testemunhar a seu favor contra seus amigos. A parte final do capítulo, mais uma vez aponta para Cristo como nosso advogado para com o Pai.

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